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Bahiana realiza apresentação do espetáculo "En(cruz)ilhada"
Peça é estrelada por artista baiano Leno Sacramento
 
Um monólogo impactante sobre as distintas vertentes da discriminação racial na sociedade. Assim foi o espetáculo “En(cruz)ilhada”, apresentado no Campus Cabula da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, no dia 21 de março, pelo ator do Bando de Teatro Olodum, Leno Sacramento. A peça, dirigida por Roquildes Júnior e com trilha sonora de Gabriel Franco, reflete o conceito das diversas mortes sofridas pela população negra.
 
Além de atuar, Leno Sacramento escreveu “En(cruz)ilhada” e compartilhou como foi o processo de criação dessa obra, principalmente diante do contexto em que sofreu discriminação racial, ao ser baleado pela polícia no ano passado, após ter sido confundido com um ladrão. “Quando eu faço a peça, as pessoas começam a dizer que falar sobre racismo é fácil para mim, porque eu passo por isso, mas eu queria deixar muito claro que não é fácil, porque todas as vezes que eu faço essa apresentação, eu vivo isso. E isso se reflete na minha vida, pois fui baleado, na Avenida Sete, pela Polícia Civil e eu era inocente. Depois de passar por isso, descobri que eu não posso parar de fazer o que faço, de falar sobre isso, até diminuir essas balas que nos atingem diariamente”.
 
Luiza Ribeiro, coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas, destacou a importância de promover esse espetáculo na Bahiana. “A peça ‘En(cruz)ilhada’ veio para a Bahiana porque nos identificamos com ela, essa obra traz uma reflexão social que é necessária para o estudante de saúde. Diante do excelente desempenho do ator Leno Sacramento, entender o contexto de discriminação da cidade com a maior população negra fora do continente africano, é primordial”.
 
A médica do trabalho da Bahiana, Monalisa Nobre, relata como é significativo para ela, como mulher negra, ver esse assunto sendo retratado na instituição de ensino. “É sempre muito difícil para mim, é um assunto que sempre me emociona, porque no dia a dia a gente tem que enfrentar isso. Abordar esse tema dentro da Bahiana é essencial, é preciso mostrar sempre como a nossa sociedade é, para que, dessa forma, mudanças reais possam acontecer”.
 
Após a apresentação de “En(cruz)ilhada”, Leno Sacramento  falou sobre como a questão histórica racial influencia em situações diárias, causando discriminação em entrevistas de empregos, em abordagens policiais e como a gravidade do racismo ainda é muito minimizada na sociedade brasileira.
 
Muitos alunos assistiram ao espetáculo, que fez uma conexão da arte com a vida. A estudante de Medicina, Sarah Fernandez, conta como foi a experiência de ver a peça. “É muito relevante para a nossa formação a Bahiana mostrar essa obra. Somos pessoas privilegiadas por estudarmos aqui, em uma faculdade privada, e ver uma realidade diferente nos faz abrir os olhos para o racismo que acontece na nossa cidade”.


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