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Histórias em Saúde Mental

“A família deve ter o compromisso, a sociedade tem que ter esse compromisso. Tem que lidar com o outro, com o diferente e ainda temos o elemento cultural. A sociedade tem que estar preparada para essa mudança. Até hoje ela só pensou na exclusão. Então esse é o desafio. Há uma prática institucional, de política pública, e há também uma prática cultural que a gente tem que construir. Aí a mídia tem um papel fundamental de trazer, resgatar e de refletir que a pessoa com transtorno psíquico tem sentimentos, tem sofrimentos, tem lucidez, por isso ela precisa de ajuda”. Com esse depoimento, o psiquiatra Prof. Dr. Ronaldo Ribeiro Jacobina, da Universidade Federal da Bahia, coloca a atual situação do paciente portador de transtorno mental, hoje, no Brasil. Ele participou da conferência Histórias em Saúde Mental, realizada pelo curso de Psicologia e pelo NAPP, no dia 18 de maio, na Unidade Acadêmica Brotas.

A abertura contou com a participação da diretora geral da Bahiana, Prof.ª Dra. Maria Luisa Soliani, que contou um pouco da relação de sua história como psiquiatra relacionando-a à história da saúde mental na Bahia. Paulista, a diretora da Bahiana veio para Salvador após concluir sua residência em psiquiatria. “Cada um de nós, com nossa própria história, vai engrossando um grande rio caudaloso que desemboca nessa coisa imensa que é o mar, aqui nesse caso, a história da saúde mental”, concluiu Soliani.

“Historicamente, aqui na Bahiana, a gente tem tentado trazer as discussões em torno da saúde mental, pelo menos uma vez no ano, de uma forma institucional. Temos um histórico com isso. Porque a gente entende que não é somente uma questão de capacitação técnica, a função de uma instituição de ensino superior, mas ela também tem uma função de capacitação política e falar em saúde mental e doença mental, hoje, no Brasil, é discutir um pouco o posicionamento político”, disse a coordenadora do curso de Psicologia, Mônica Daltro.

Além de docentes do curso de Psicologia, também estiveram presentes a coordenadora do Núcleo de Atenção Psicopedagógica (NAPP), Angélica Mendes, o psicólogo e psicanalista do NAPP, Wagner Angeli, coordenador do evento.


Palestra
Em sua palestra Histórias da Loucura, Jacobina traçou um histórico do surgimento das casas de loucos, manicômios e sanatórios até os tempos atuais, quando é discutida a construção de um novo modelo calcado na inserção do portador de transtorno mental na sociedade, retirando-o da clausura das internações de longa duração. “O modelo se coloca na ideia de cuidar sem excluir. Portanto, sair dos manicômios não quer dizer abolir uma hospitalização, quer dizer que, por uma situação aguda, a pessoa receba o atendimento pelo tempo que necessita e que não mais seja depositada nas instituições”, completa.

Com a realização da mesa Práticas em Saúde Mental, coordenada pelo professor da Bahiana, Rafael Leite, na qual os convidados puderam abordar suas experiências clínicas ambulatoriais, na internação e nos CAPS . A terapeuta ocupacional, Tâmara Grimaldi apresentou sua experiência na clínica psicossocial, em Salvador e em São Felipe, o psicólogo e ex-aluno da Bahiana, Gerfson Oliveira falou sobre a gestão e  o funcionamento do CAPS ad (álcool e outras drogas) Gregório de Matos, localizado no Terreiro de Jesus, nas instalações da antiga Faculdade de Medicina da UFBA; a psicóloga Carolina Severo, graduada pela BAHIANA apresentou sua experiência na clínica La borde, na França, articulada à sua experiência atual na  Clínica Hólos, em Salvador, e na clínica do ADAB. A residente em Psicologia Clínica e Saúde Mental UFBA/SESAB/HJM, Priscylla Guedes deu um depoimento sobre a  formação em serviço. No turno da manhã, o evento contou ainda com o relato de experiência do estudante de psicologia do 10º semestre, Eduardo Pitanga, estagiário do Hospital Juliana Moreira e do Hospital de Custódia e Tratamento (HCT).

À tarde, o programa teve início com a mesa Perspectivas Transversais em Saúde Mental, coordenada pelo prof. Wagner Angeli e contou com a participação do antropólogo baiano, Fábio Lima, que falou sobre a relação entre a saúde mental e o Candomblé. Também participou a psicóloga do Hospital Juliano Moreira, Fabiana Kubiak que tratou das práticas e saberes transversais na rede de Saúde Mental, tendo em vista o empoderamento do usuário. Em seguida, o antropólogo baiano  Fábio Lima falou sobre a relação entre a Saúde Mental e Candomblé. A mesa contou, ainda, com a presença de Renilda e Dionaldo, representantes da Associação Metamorfose Ambulante –AMEA Bahia,  Associação de Usuários e Familiares dos Serviços de Saúde Mental, que relataram um pouco da trajetória da Luta Antimanicomial na Bahia e convidaram os estudantes a participarem da V Parada em Movimento do Orgulho Louco, no farol da Barra, no dia seguinte.

No fim da tarde, o psicólogo e músico Lucas Duque Artigas, graduado pela BAHIANA, realizou uma oficina de música com a participação de todos, e o evento finalizou com a apresentação do Bando FLORES DA MASSA, que nasceu na internação do Hospital Juliano Moreira a partir da oficina de música, há três anos.



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