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Bahiana sedia II Colóquio sobre Saúde da População Negra na Bahia

O evento é uma parceria entre o Complexo Comunitário Vida Plena (CCVP), a Sociedade Hólon e o curso de Medicina da Bahiana.

27/10/2016


Bahiana sedia II Colóquio sobre Saúde da População Negra na Bahia

O evento é uma parceria entre o Complexo Comunitário Vida Plena (CCVP), a Sociedade Hólon e o curso de Medicina da Bahiana.

“Sabemos que o racismo é estruturante em nossa sociedade e define nossa condição de viver e de morrer. Trabalhar essas questões com estudantes e professores é atentar para esse determinante social de saúde”. A observação é de Karine Oliveira, professora de Saúde Coletiva, e foi feita durante o II Colóquio sobre Saúde da População Negra. O evento aconteceu nos dias 21 e 22 de outubro, na sede na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, na Unidade Acadêmica Cabula.

Para a professora, foi uma conquista integrar o evento, que já acontece há dois anos, à agenda da instituição. Resultado de parceria entre o Complexo Comunitário Vida Plena (CCVP), a Sociedade Hólon e o curso de Medicina da Bahiana, o colóquio foi proposto em comemoração ao Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, celebrado em 27 de outubro.
 

     


Estudantes da graduação, da pós-graduação, docentes e profissionais da área de saúde tiveram um espaço de diálogo e socialização das práticas de cuidado voltadas para a população negra. As políticas públicas e a legislação sobre a saúde e a gestão clínica também foram temas dos debates.

O psicólogo Jeferson Oliveira, integrante do CCVP e professor de Saúde da Família, lembrou que o II Colóquio trouxe um tema bastante relevante dentro do contexto cultural e territorial. “Eu me interrogo por que esses debates não estão tão presentes na área de saúde das universidades”, provocou e explicou: “pois a questão racial implica diretamente na qualidade da assistência e do cuidado à população negra”.


Empoderamento

A professora Isabel Cruz, doutora em enfermagem pela Universidade São Paulo, abriu o evento com a palestra “O racismo no serviço de saúde e atuação dos profissionais”, dando destaque à Política Nacional Integral de Saúde da População Negra (PNISPN).

Para ela, é preciso reconhecer que a medicina ainda é resistente às mudanças que implicam em empoderamento do paciente e no aumento do controle social. Por isso, Isabel Cruz louvou a iniciativa da Bahiana e da professora Karine Oliveira em realizar o colóquio, que considera algo pioneiro dentro de uma escola de medicina. “Apesar das dificuldades, o mundo está mudando. Hoje, trabalhamos com foco nos indivíduos e na equipe interprofissional”, ponderou.
 

     


Como o curso de medicina é o principal elemento formador da categoria médica, realizar esse evento é da maior importância, destacou a professora Eliana de Paula, que representou a coordenadora do curso, professora Ana Verônica Mascarenhas, além dos docentes da Bahiana, dos Grupos de Pesquisa e da Liga Acadêmica de Relações Raciais.

“Com o colóquio, podemos trazer os nossos alunos, futuros médicos, para participar desse debate de forma que eles possam se posicionar melhor, não somente como profissionais, mas como cidadãos”, explicou Eliana de Paula.


Racismo no meio acadêmico

Com temas pertinentes à formação dos alunos, o evento promoveu uma discussão ampliada sobre várias vertentes que o racismo atinge, incluindo debates e mesas-redondas.

Houve também uma exposição de livros e foi montada uma tenda de artesanato no espaço em homenagem a Luíza Bairros (in memoriam), ex-ministra da Secretaria de Políticas para Promoção da Igualdade Racial.
 

     


Para a aluna do 10° semestre do curso de Psicologia Cleyciane de Oliveira, o evento foi interessante por trazer temáticas como a Política Nacional Integral de Saúde da População Negra.

A estudante destacou a importância do debate para a sua formação como psicóloga, considerada uma profissão que possibilita a transformação da sociedade, principalmente nas questões étnico-raciais. “É preciso debater sobre o racismo no meio acadêmico, e a Bahiana está abrindo as portas para essas discussões étnico-raciais e a inclusão dessas pessoas no âmbito da saúde”, disse a estudante que, no momento, atua em atendimento ao SUS. “A maioria dos pacientes é negra e não vejo essa discussão do racismo lá para cuidar desse sujeito que é tanto o agredido quanto o agressor”.
 


No dia 21, a programação foi encerrada com uma apresentação do Grupo Adolescer com Arte e, no dia 22, foi realizada uma oficina ministrada pela Prof.ª Dra. Isabel Cruz voltada para a docência, enfatizando a inclusão do racismo na formação em saúde.


Confira as fotos.

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