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Curso de especialização tem aula inaugural com o psiquiatra Antônio Nery Filho

Palestra deu início ao semestre letivo do curso de Saúde Mental à Atenção Básica.
04/02/2019


Curso de especialização tem aula inaugural com o psiquiatra Antônio Nery Filho

Palestra deu início ao semestre letivo do curso de Saúde Mental à Atenção Básica.

"A relação entre Saúde Mental e Atenção Básica", tema da aula inaugural do curso de Especialização em Saúde Mental à Atenção Básica, realizada pelo prof. Dr. Antônio Nery Filho, no dia 25 de janeiro, no Campus Brotas, foi o ponto de partida para uma tarde de reflexão que reuniu acadêmicos, professores e colaboradores da instituição. Ao longo de pouco mais de duas horas, o psiquiatra, de forma alegórica, explanou sua reflexão sobre o sofrimento humano e como os profissionais ligados ao atendimento vêm passando por uma crise ética e se distanciando, cada vez mais, dos que sofrem.

"A medicina tem caminhado para um fracasso retumbante por não mais saber reconhecer o sofrimento do outro". Ele apontou a necessidade de repensar a formação dos profissionais de saúde no sentido de compreender o paciente de forma integrada: "Estamos formando pessoas para cuidar de um corpo sem se preocupar com o que aquela pessoa sente e, por outro lado, também estamos formando outras pessoas para cuidar da alma, sem envolver o cuidado com o corpo – receptáculo da alma. Alma, no sentido de um indivíduo que sente, pensa, sofre etc."
 
      

Segundo o psiquiatra, vivenciamos uma crise ética: "Na medicina e na psicologia penso que chegamos a essa situação de muita disparidade entre as pessoas que sofrem e que buscam conforto nas assistências técnicas e nos técnicos (profissionais), porque nós nos esquecemos de que cuidamos de pessoas. Precisamos perceber que nós fracassamos do ponto de vista ético, já que precisamos pensar eticamente em nossas relações, nossas construções, os acordos que fizemos para que nós humanos possamos viver no melhor ambiente possível, já que vamos sempre conviver na diferença."

Sobre essa perda de empatia na relação entre a pessoa que sofre e o seu cuidador, Nery traça algumas perspectivas: "A saída é voltar aos acordos técnicos, reconhecer o humano na sua fragilidade, reconhecer o sofrimento. É fazer com que médicos, psicólogos, assistentes sociais e advogados se destituam desse lugar de superpoderosos, deuses, pessoas que detêm o supremo conhecimento e que deixaram de ser mortais. É voltar a pensar que somos todos iguais, uns com mais outros com menos. Nós fracassamos porque perdemos os nossos fundamentos éticos e, para sair, precisamos retornar às nossas fundações éticas."

Segundo Maria Antonieta Araújo, coordenadora do curso, o tema escolhido para a aula inaugural vai ao encontro do objetivo principal do curso: "Nosso curso volta o olhar justamente para esta interface que é o indivíduo que está sofrendo e está entre a saúde mental e a atenção básica com os cuidados biomédicos. A interface entre esses dois pontos, saúde mental e atenção básica, é exatamente o que o professor Nery colocou, o sofrimento do indivíduo que busca esse cuidado".
 
      

Ela conta que o curso se originou a partir de um trabalho desenvolvido pela Bahiana na atenção primária: "Por nove anos, estive à frente do programa Candeal, fazendo atendimento aos usuários daquela comunidade e vi a dificuldade de acolhimento e acompanhamento do sofrimento psíquico que chegava àquele local.", Segundo Antonieta, esses usuários poderiam ser atendidos naquela unidade, sem a necessidade de serem encaminhados para unidades de saúde especializadas. "Ali mesmo, se os profissionais tivessem habilitados para cuidar, isso seria feito".

Para a professora do curso, Alssivânia Mota, a palestra do professor Nery consolida o que já vem sendo motivo de reflexão dentro do curso: "Acho que esse encontro dele com o curso é exatamente o que a gente pensa, essa interface além dessa formação técnica. Mas considerando essa dimensão humana, filosófica, que comportamos enquanto sujeitos, por que adoecemos? Por que as pessoas adoecem? Será que eu vou adoecer? Eu acho que essa é a proposta da pós e com a qual eu contribuo desde o início: é pensar essa formação para o uso de proposições de reflexividade de como podemos intervir melhor sobre seres humanos iguais a nós, que também sofrem em medidas diferentes. Então essa formação visa associar o uso das técnicas a essa dimensão filosófica da compreensão do sujeito nesse espeço social do ‘aqui e agora’ que é altamente adoecedor".
 

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