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Bahiana Entrevista

Confira a entrevista com a estudante de Psicologia Roxane Mayer. A francesa participou de um intercâmbio de dois meses que possibilitou a troca de conhcimentos e experiências na área.

17/05/2013


Bahiana Entrevista

Confira a entrevista com a estudante de Psicologia Roxane Mayer. A francesa participou de um intercâmbio de dois meses que possibilitou a troca de conhcimentos e experiências na área.

Estudante do 4º ano ou, como chamam os franceses, primeiro ano de master M1, Roxane Mayer, de 25 anos, estuda Psicologia na Université Pierre-Mendès, France. Este ano, ela desfrutou de uma experiência diferente. Participou, por dois meses, do curso de Psicologia da Bahiana, vivência que  compartilha nesta entrevista. 

 
Roxane Mayer | Estudante de Psicologia

 
- Como surgiu a oportunidade de fazer esse intercâmbio no curso de Psicologia da Bahiana?
Eu sempre quis ter uma experiência profissional no Brasil, pois eu sou metade francesa,  metade brasileira e sempre amei muito esse país. Depois dos estudos, meu projeto profissional seria trabalhar no meio hospitalar com as crianças, no Brasil. Eu conheço a Sra. Luiza Ribeiro que é coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas e foi ela quem me apresentou o projeto da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Ela me deu o contato da Sra. Mônica Daltro e foi na troca de e-mails com ela que surgiu a proposta desse estágio. Eu faria a parte prática (dois rodízios: um no ambulatório do ADAB com a professora Sylvia Barreto e o segundo no Hospital Humberto Castro Lima com a professora Constança Velloso) e também uma parte teórica.


- Quanto tempo durou o estágio?
Essa experiência durou dois meses (no final de janeiro participei da recepção dos calouros e fiquei até o fim  de março).


- Conte um pouco da sua experiência acadêmica na Bahiana.
Eu participei de dois rodízios que são as partes práticas do quarto ano de psicologia e de duas disciplinas teóricas.

O primeiro rodízio foi no ambulatório do ADAB com a professora Sylvia Barreto. Esse rodízio começava com uma atividade na sala de espera que tinha como proposta trabalhar um tema relacionado com a obesidade (imagem corporal, alimentação, atividade física etc.). Essa atividade durava mais ou menos 30 minutos e permitia a cada um compartilhar sua experiência, sua opinião e sua historia. A seguir, cada estudante ia acompanhar um paciente. Nós tínhamos uma ficha clínica para preencher com o paciente sobre a sua chegada ao grupo de Pesquisa para o Estudo do Excesso de Peso (Pepe), suas impressões sobre o programa, o acompanhamento, sua alimentação e atividades físicas. O estudante também acompanhava o paciente nas consultas que ele tinha que fazer.

Depois, todos os alunos, com a professora, reuniam-se na sala de aula para compartilhar os casos clínicos que cada um teve. Era um momento muito rico e interessante, pela troca de experiências e, nos casos difíceis, era uma grande ajuda. A professora Sylvia também fazia perguntas e apontava aspectos que não havíamos pensado, o que ajudava na elaboração dos casos clínicos.

O segundo, foi no Hospital Humberto Castro Lima, com a professora Constança Velloso. Passávamos a terça-feira inteira no hospital. O objetivo era preparar as crianças que iam  submeter-se a cirurgia dos olhos (geralmente sete dias antes), e acompanhá-las e os seus familiares no dia do tratamento. Na preparação, contávamos histórias sobre o medo, para perceber a ansiedade das crianças em relação ao tratamento, ao hospital ou aos profissionais. Depois, era realizado um diálogo de três personagens que explicavam o que era esse tratamento, o decorrer do dia da cirurgia e os cuidados pós-cirúrgicos. A seguir, as crianças podiam desenhar e brincar de massa de modelar. Nesse momento, a gente perguntava se elas tinham dúvidas e se queriam saber mais sobre o dia da cirurgia. Os acompanhantes podiam também intervir nesse momento para tirar as dúvidas com os estudantes de psicologia ou com os profissionais do hospital.

No dia da cirurgia, tinha um estudante acompanhando a criança e, um outro, assistia os acompanhantes. Foi muito interessante participar dessa experiência, pois os efeitos das nossas intervenções são notáveis na mudança do comportamento e nas emoções do paciente e da pessoa acompanhada. De fato, era comum a pessoa estar muito ansiosa pela manhã e bem mais tranquila à tarde. Algumas pessoas agradeciam pelo nosso trabalho.

Havia também a possibilidade de ir ao grupo dos idosos para saber como eles se sentiam e permitir a cada um compartilhar suas experiências vivida na cirurgia dos olhos. Essa atividade tinha também uma grande importância, pois essa troca de informações permitia às pessoas que não tinham feito a cirurgia sentirem-se melhor e reduzir a ansiedade.

Na quinta-feira, era o momento de compartilhar os casos que tínhamos encontrado e a maneira como lidamos com a situação. A gente tinha que entregar toda semana um relatório sobre o dia no hospital e falar sobre as articulações teóricas do nosso trabalho escrito. Era também um momento para fazer a apresentação de casos clínicos e preparar o trabalho da próxima terça-feira no hospital.

Além das atividades teóricas, assisti à aula da Prof.ª Mônica, na qual a gente tratava de vários sujeitos: a observação clínica de um indivíduo, uma colagem sobre a ‘subjetividade’, a importância da linguagem corporal, a maneira de o psicólogo se comportar com os pacientes etc. Foi muito interessante, pois em cada aula, era uma troca de ideias com a professora e os outros alunos.

Eu assisti também à aula da Prof.ª Isabella Queiroz. Gostei do decorrer dessa aula que tinha como tema central a criança. Tinha dois alunos eleitos a cada aula, um  coordenador e outro ajudante. A professora distribuiu um texto e nele a gente definiu o tema central, as palavras-chave e os objetivos. Os objetivos eram temas de pesquisas para  acrescentar ao tema abordado.

Achei essa maneira de ensinar atraente, pois o estudante é ator na sua própria aprendizagem e a professora lhe dá responsabilidades. De fato, se o estudante não fizesse o seu trabalho, o grupo inteiro sofreria com isso. Parece um pouco radical, mas não é, pois desse jeito, tinha-se a certeza de um nível de comprometimento de cada um nos seus estudos e de uma possibilidade para um ensino de qualidade.


- O que vê de diferente entre sua universidade e a Bahiana, no que se refere ao ensino?
Na França, a parte prática só aparece a partir do quarto ano com os estágios. Antes disso, é só teoria. A  Porf.ª Mônica Daltro explicou para mim que na Bahiana a parte prática começa desde o primeiro ano de estudo e que, no quarto ano, têm início os estágios.

A Prof.ª Mônica Daltro também me apresentou o programa dizendo que em cada semestre era ensinado um ciclo de vida (gravidez com o parto, infância, adolescência e  velhice). Na minha faculdade o ensino é diferente, pois não tem essa separação em ciclos de vida. Eu podia, por exemplo, estudar no mesmo semestre, infância, adultos e idosos com aulas de inglês, cognição, uso do rorschach etc. A separação acontece a partir do quarto ano, no qual o estudante especializa-se (na minha faculdade tem três especializações: psicologia clínica, psicologia do trabalho, psicologia cognitiva). No quinto ano tem  também especialização, pois o estudante tem que se candidatar para as diferentes faculdades dependendo do projeto profissional que tem. Na minha faculdade, em psicologia clínica, tem ainda três especializações: psicologia da saúde, psicologia e terapia, criminologia/vitimologia.

Na minha faculdade tem muitos estudantes de psicologia. Somos 120 alunos de psicologia clínica no quarto ano e a Bahiana tem somente 32 vagas. Eu achei a proposta da Bahiana mais atraente e lógica, pois o estudante tem um contato direto com o professor. O ensino fica de melhor qualidade, pois o professor é mais disposto para ensinar e o aluno tem mais espaço e possibilidade de interagir com o professor e os outros alunos do grupo.


- O que pôde mais aproveitar no intercâmbio na Bahiana?
O que eu aproveitei mais nesse intercâmbio foi o contato com os professores. Eu me senti à vontade para fazer intervenções na sala de aula e também nos rodízios. Eu me senti apoiada e, ao mesmo tempo, era independente. Esse espaço dá a possibilidade para o estudante sentir que ele é reconhecido como psicólogo em formação e que sua opinião é importante. Eu pude também fazer amizades com os outros estudantes e até hoje mantenho  contato com eles.


- O que você aprendeu que fará diferença na sua vida profissional?
Nos dois rodízios, aprendi várias coisas. O do ADAB me deu ideias para animar uma sala de espera e fazer propostas de temas para que os pacientes possam compartilhar impressões, vivências e histórias pessoais enquanto esperam ser atendidos. Na França, não se vê muitos psicólogos fora do seu consultório, propondo atividades na sala de espera. Eles vão mais aos quartos dos pacientes ou fazem atendimentos no consultório. O do hospital me ensinou a lidar com crianças, adultos e idosos, permitindo-me a oportunidade de perceber que o psicólogo tem também essa possibilidade de melhorar as condições dos pacientes no hospital com poucas atividades. Aprendi que, no Brasil, o psicólogo tem um lugar bem reconhecido. Seria interessante para mim tentar trazer essa visão para a França, inclusive no meio hospitalar.
 

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