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Professora da Bahiana representa o Brasil em conferência na França

Prof.ª Dra. Liliane Lins aborda a Humanização em Saúde.

26/11/2013


Professora da Bahiana representa o Brasil em conferência na França

Prof.ª Dra. Liliane Lins aborda a Humanização em Saúde.

A professora do curso de Medicina e coordenadora do Núcleo Comum em Ética e Bioética dos cursos de Saúde da Bahiana, Dra. Liliane Lins, esteve na França, de 13 a 23 de novembro, onde representou o Brasil em uma conferência realizada durante o Encontro de Especialistas em Filosofia, a convite da Associação Internacional Schweitzer Lambaréné (l’AISL). A apresentação versou sobre a Humanização em Saúde, o processo de trabalho na atenção básica do SUS e a necessidade de humanização na formação dos profissionais de saúde. O encontro aconteceu em Gunsbach, região da Alsácia. Participaram também do evento pesquisadores da Noruega, França, Alemanha, Suíça e Gabão.


Na Bahiana, a Prof.ª Dra. Liliane Lins coordena o Grupo de Pesquisa do CNPq Núcleo de Estudo e Pesquisa em Ética e Bioética, onde realiza pesquisa sobre Humanização na Formação dos Profissionais da Saúde.

Durante o período em que passou na França, a Prof.ª Dra. Liliane Lins aproveitou a oportunidade para intensificar sua pesquisa na temática da Humanização em Saúde, além de dedicar-se a aprofundar as relações internacionais de pesquisa entre a UFBA, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública,  a l’AISL e o hospital Albert Schweitzer, no Gabão.

Confira a entrevista.

Como surgiu a temática da pesquisa?
A primeira iniciativa dessa pesquisa surgiu em 2010 quando apresentei minha Tese de Livre Docência em um encontro da UNESCO, em Israel. Lá conheci o médico pesquisador e filósofo Jan HelgeSolbakk. Nesse encontro ocorreu minha aproximação com a Ética Schweitzeriana. Em 2011, presidi uma mesa em Istambul, no Congresso da Sociedade Europeia de Ética Médica. Antes do congresso, na mesma cidade, haveria uma Escola para Globalização da Bioética (GLEUBE) nos moldes europeus, personalista. Concorri a uma bolsa pela União Europeia e fui aprovada. Para minha surpresa, um dos professores da GLEUBE era Jan Helge. Foi em 2012 que iniciamos uma pesquisa mais centrada na Filosofia Schweitzeriana voltada para educação em saúde. Com financiamento da FAPESB, fizemos uma semana de pesquisa em Gunsbach e a apresentação do nosso projeto que envolve Bahiana, UFBA e Associação Internacional Schweitzer Lambaréné (AISL).
 
Nesse ano, fui convidada para a Conferência de Especialistas em Filosofia da AISL, à qual agora formalmente faço parte, apresentando a temática de humanização em saúde.


Qual é a importância dessa temática na educação em saúde?
No ensino da Ética e Bioética, utilizamos muito a conhecida Bioética Principialista que é caracteristicamente normativa. Trata-se de uma ferramenta útil na humanização, no entanto, firma-se em regras. No nosso contexto plural brasileiro, outras reflexões são necessárias para o lidar com as disparidades sociais, as diferenças culturais. É nesse aspecto que a Ética de Respeito à Vida, não somente nas relações com seres humanos, mas com animais e o meio ambiente, traz reflexões importantes de responsabilidade ampla. Essa responsabilidade que é fruto de uma construção consciente é fundamental na atenção à saúde nesse contexto desigual de nosso país. Tem um filósofo muito conhecido aqui no Brasil, inclusive já escrevi dois textos sobre ele, o Hans Jonas, que aborda o Princípio da Responsabilidade. No entanto, a ética de respeito e responsabilidade descrita por Jonas muito se assemelha à Filosofia Schweitzeriana que foi escrita há mais de cinquenta anos antes.

Quais os principais pontos abordados?
O interessante é que Schweitzer foi médico, músico, filósofo e teólogo. Morreu na África exercendo a medicina no hospital que fundou no Gabão.  Como o próprio filósofo afirmou, a ética desenvolvida por ele veio da prática. Schweitzer exerceu por anos uma medicina, dentro das condições possíveis para um hospital com poucos recursos, generalista e humanista. É esse encontro que precisamos na construção do SUS. Profissionais generalistas, humanistas e capazes de resolver as demandas populacionais. Nesse aspecto, abordamos o SUS, a necessidade de formação de profissionais nesse perfil, justamente como vem caminhando a Bahiana.  Durante esses 14 anos de docência esse é o percurso de responsabilidade e compromisso que a Bahiana tem tido para com seus docentes e discentes.

Também acredito que a prática é fundamental para o ensino. Por essa razão, no ensino da Ética e Bioética, manter a prática clínica, no meu caso, cirurgia e estomatologia, e realizar pesquisas com seres humanos são fundamentais. Outros aspectos práticos que me ajudam no aprendizado do ensino em saúde é atuar em Câmara Ética de Conselho Profissional e na vice-coordenação de um Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA). Todos esses elementos são agregadores.

Como ocorre essa parceria AISL, UFBA e Bahiana?
É uma parceria de aprendizado e produção científica conjunta. Já temos trabalhos articulados, inclusive sobre as questões ambientais. É através do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Ética e Bioética do CNPq Bahiana que pleiteamos nossos projetos inclusive em parceria com a UFBA. A nossa cooperação com a AISL envolve não somente a Ética e Bioética, mas também o hospital Albert Schweitzer no Gabão, onde pretendemos realizar trabalhos na área de estomatologia e cirurgia bucomaxilofacial.

Tentaremos trazer pesquisadores visitantes via órgão de fomento que possam realizar um trabalho efetivo de retorno social, empoderando nossa população. Este é o caso da pesquisadora israelense que pertence ao nosso grupo de pesquisa da Bahiana. Trata-se de uma bioeticista, advogada, que está terminando seu doutorado sanduíche Israel-Noruega que estuda Direito da Mulher.



Liliane Lins
Prof.ª Titular do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (Bahiana). Ética e Bioética.
Coordenadora do Núcleo Comum em Ética e Bioética dos cursos de Saúde da Bahiana.
Especialista em Estomatologia e Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
Doutora em Patologia Humana-FIOCRUZ-FMB-UFBA.
Livre-Docente em Bioética FMB-UFBA.
Professora-Adjunta da Faculdade de Medicina da Bahia-UFBA. Ética e Bioética- DMPS.
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