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2008 - 12/11 - Solenidade de comemoração pelos 50 anos de formatura da primeira turma de Medicina da Bahiana.

Viajar no tempo. Essa é a sensação dos que têm o privilégio de passar uma tarde conversando com personalidades como Dra. Lia Theresa Savastano Faria Ribeiro, Dra. Lígia Sadigursky Cunha e Dr. Walter Cunha. Viagem que pode nos levar para o ano de 1953, quando eles ingressaram como estudantes na turma pioneira da recém lançada Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

"Naquele tempo, existia apenas a Escola de Medicina da Federal. E um grupo liderado por professores como Dr. Jorge Valente, Antônio Simões, Orlando de Castro Lima, Aristides Novis Filho, Adelaido Ribeiro e outros, teve a idéia de criar uma escola de medicina nova. E então, aconteceu um vestibular duríssimo, porque muitos concorreram e as vagas eram poucas, somente trinta. Quando saiu o resultado, tinham 43 aprovados. Assim, 13 sobraram, embora tivessem alcançado a nota. Fizemos um movimento e buscamos apoio dos professores e de pessoas importantes para que esses 13 fizessem parte do grupo e fossem admitidos. Assim, ficamos os quarenta e três". A história é contada, com detalhes, por Dr. Walter Cunha, aprovado em 5º lugar, no concurso.

Neste momento, Dra. Lia que tirou primeiro lugar no vestibular da Bahiana, mostra um recorte de jornal com a notícia e a lista dos aprovados. "43 candidatos aprovados para o vestibular da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública", ela lê, relembrando que eram 94 concorrentes.

Em abril de 1953, a turma começou a ter aulas nas dependências do Hospital Santa Isabel, berço da Escola. Entre os mestres, Dr. Jorge Valente, primeiro diretor da Bahiana, Audemaro Silvino Pinto Guimarães, Aníbal Muniz Silvany, Jorge Augusto Novis, Trípoli Gaudenzi, Newton Alves Guimarães, Estácio Gonzaga, Edgard Pires da Veiga, José Marinho Falcão, Adelaido Ribeiro e Francisco Pinheiro Lima.

Segundo Dr. Walter Cunha, por ser nova, a Escola passava por muito preconceito e, para fazer frente a isto, Jorge Valente contratava professores de renome nacional e internacional como é o caso do uruguaio, Herrera Ramos.

Entre os estudantes, o clima era de identidade total. "As dificuldades que tivemos no início, propiciaram a união e a criatividade. Nós fazíamos tudo para aparecer, não individualmente, mas como um grupo, para crescer. Por exemplo, quando chegamos ao sexto ano, começaram os concursos remunerados e Jorge Valente dizia 'vocês têm que se apresentar bem nesses concursos' e nós nos apresentávamos. Nós concorremos com todos os outros alunos da Federal e ganhamos 80% das vagas", conta Walter Cunha.

Os colegas contam que, o que no início era visto como dificuldade, posteriormente, foi admitido como vantagem. Exemplo disto foi o fato da Escola funcionar nas dependências do Santa Isabel. Estar dentro de um hospital era aprender a todo instante. Era já estar ambientado ao que seria o dia-a-dia para o resto da vida. Segundo Dra. Lia, "alguns, começaram a trabalhar logo, por conta disto".

Ela conta que as instalações da Bahiana, no começo, eram constituídas de um auditório grande, um pequeno, a sala de anatomia e os laboratórios. "Não tínhamos cantina e então freqüentávamos o Baranita que era um barzinho que ficava próximo", conta.

"Pioneiro é isso mesmo. Pioneiro tem que enfrentar" Lígia Sadigursky Cunha

Ser primeira turma de uma escola representa, entre outras coisas, não ser calouro. Não passar por trote. Entre outras coisas, também é preciso arrumar a casa. E foi o que fizeram os novos alunos da Bahiana. Logo se organizaram e constituíram o Diretório Acadêmico Pirajá da Silva, que teve como primeiro presidente Carlos Ruy Tourinho.

Neste período, também foi lançado o Jornal Estudantil A Lupa. A primeira edição, feita a mão em uma folha de papel pautado, custava CR$ 0,10 (dez centavos de cruzeiro) e ainda está entre os itens de recordações de Dr. Walter Cunha.

Outra mobilização do grupo, na época, era para as festas na Residência Universitária da Federal (Corredor da Vitória), onde os estudantes se reuniam. "Quando chegávamos, ganhávamos uma senha e ficávamos ali dançando. Em um determinado momento, essa senha era trocada por um pratinho com três docinhos e três salgadinhos e um copinho de refrigerante. Naquela época, ninguém andava com dinheiro", relembra Dra. Lia Ribeiro.

O ponto máximo da trajetória era a formatura. "Naquela época, era muito comum o grupo que se formava fazer uma viagem para a Europa. Como éramos poucos, fizemos rifas e outros artifícios para arrecadar dinheiro. Depois tivemos apoio de alguns laboratórios", conta Dr. Walter Cunha.

E para quem pensa que o sobrenome Cunha de Dr. Walter e de Dra. Lígia é pura coincidência, se enganou. Eles são o primeiro casal da Bahiana. Sim, iniciaram o namoro, como muitos residentes de hoje em dia, nos plantões que tantos médicos têm que dar no exercício de sua profissão.

Estas são algumas das histórias dos 43 pioneiros da Bahiana que foram homenageados na solenidade do dia 03 de dezembro, quando eles celebraram 50 anos de formatura. A solenidade aconteceu às 10h, no Salão Nobre da Escola de Medicina, no Unidade Acadêmica de Nazaré.


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